quinta-feira, 31 de maio de 2012

Antonio Osorio defende desprivatização da UFMS‏

Antonio Osório não aceitou provocações e voltou a dar aula de como é possível ser o gestor de uma "UFMS para Todos"

O candidato a reitor da UFMS pela Chapa 2 – UFMS para Todos – Antonio Osório – defendeu em debate realizado nesta quarta-feira (30.05) a desprivatização  da instituição. “A universidade não pode ser mais dominada por guetos ou pequenos grupos movidos por interesses pessoais”, afirmou.

Questionado sobre a modelo de gestão que deseja implantar, Antonio Osório defendeu o compromisso com a universidade pública, respeito à comunidade acadêmica e o reconhecimento do seu papel social.  Criticou o processo de privatização do patrimônio público iniciado no Governo Fernando Henrique Cardoso, com conseqüências diretas sobre a qualidade de gestão e ensino dentro das universidades brasileiras e afirmou que deseja abrir uma discussão mais aprofundada sobre a criação da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), na gestão do Hospital Universitário.  Alertou que é preciso  avaliar os processos gerenciais não só a partir de metas, mas  também pela forma e o modelo de gestão antes de qualquer mudança na atual estrutura administrativa do hospital, questionando  como vai ficar a situação dos atuais funcionários e que o modelo até agora concebido privilegia uma função profissional em detrimento a outras. “Como princípio sou contra a privatização e precarização  das condições de trabalho por meio da terceirização”, afirmou.
Intervenção de Lucivaldo Santos, coordenador geral do sindicato dos técnicos da UFMS.  "O SISTA/MS é contra o processo de privatização do HU"


Princípios da UFMS para Todos
Em todos os debates realizados nos centros universitários, Antonio Osório tem apresentado os princípios norteadores da Chapa 2 – UFMS para todos: compromisso social, compromisso com a qualidade de ensino, condições material e humanas adequadas para funcionamento das atividades acadêmicas; democratização; transparência orçamentária; elaboração de um novo estatuto (estatuinte); cumplicidade de todos os segmentos; nomeação de pessoal para os cargos de confiança com base na competência e experiência; melhores condições de acessibilidade e defesa da universidade pública e gratuita.     

Nova reestruturação administrativa
Para o candidato Antonio Osório a extinção dos departamentos deixou um vazio administrativo, em que as coordenações de cursos perderam força e identidade. Defende uma nova reestruturação organizativa em torno de instituto e por meios de colegiados paritários, composto pelos três segmentos. A nova forma de organização aconteceria em torno de linhas de pesquisas, grupos e áreas de conhecimento, e de outras formas de produção acadêmica. “Os cursos são criados sem levantamento de demanda, sem interfaces, sintonia com o mercado e sem definição da vocação de cada centro universitário”. Citou como exemplo  o Centro Universitário de Paranaíba que dispõe de cinco cursos, em áreas distintas e que poderia ser atendido em nível de pós-graduação em áreas que o município apresenta carências.
Antonio Osório e Teodorico, como sempre, ouvem os estudantes antes e depois dos debates: pela melhoria das condições de ensino 



Revisão curricular
Antonio Osório defende uma ampla revisão curricular de todos os cursos.  Para o candidato o atual modelo vem sobrecarregando a atividade acadêmica, com disciplinas obrigatórias que não permitem ao aluno participar de projetos de iniciação científica ou cumprir o horário definido pela bolsa permanência. A situação também sobrecarrega professores que além de cumprir o número mínimo de aula de graduação e na pós-graduação, tem pesquisar,  desenvolver programas de extensão e orientar alunos no mestrado e doutorado. Como princípio defende uma discussão ampla sobre o regime de disciplina, com incremento de disciplinas optativas.
COTAS - Por outro lado, Antonio reafirmou sua posição a favor da implantação de cotas na UFMS para todos os cursos disponíveis na instituição. A imediata implantação das cotas na versidade é a questão imperativa e faz pare da política de educação inclusiva pregada e praticada pelo candidato a reitor. Para quem não sabe,Antonio Osório faz parte da comissão de educadores que implantou a e acompanha o desenvolvimento da política de educação inclusiva no Brasil.
IDOSOS E ENSINO MÉDIO - Também faz parte do projeto do candidato promover a inclusão do grupo da terceira idade e dos estudantes do Ensino Médio. Os idosos podem até se aposentar, mas não são inativos e querem participar do cotidiano, mas para isso é preciso garantir a oportunidade participação. Antonio Osório ressalta ainda a necessidade de se estabelecer uma relação mais próxima com os alunos do último ano do Ensino Médio, para que eles conheçam de perto como funciona o terceiro grau. 
Servidora da UFMS, Artemisia Almeida, responde a ataques: "Ratos de porão são aqueles que ficam encastelados em cômodos obscuros por mais de 8 anos" 

Condições mais humanas de trabalho
Para Antonio Osório e Teodorico, o grande desafio colocado para a comunidade acadêmica e a nova administração da UFMS é de resgatar auto-estima dos trabalhadores da instituição frente ao desencanto presente atualmente. O primeiro e grande barreira é ampliar a contratação por meio de concurso público. Valorizar os técnicos administrativos de carreira, com competência e habilidade, ocupando cargos estratégicos da reitoria, pró-reitoras e centros universitários. Pretende desenvolver um programa permanente de estímulo a graduação e pós-graduação, como foco profissionalizante e uma política efetiva de recursos humanos que resgate a dimensão humana de todos os profissionais. “Os técnicos administrativos são os responsáveis pelo funcionamento da rotina administrativa e pelo suporte pedagógico a professores e alunos, por isso merecem uma atenção especial”.  


Plano diretor de espaço
A falta de critério na distribuição de espaços dentro dos campi da UFMS foi outro ponto apresentado pelo candidato  Antonio Osório.  Para acabar com a disputa de espaço propôs a elaboração de Plano Diretor para ampliações e ocupações de espaço territorial da instituição. Citou com exemplo os espaços da antiga reitoria, a  biblioteca e salas das Unidade VI que deveriam ser incorporados pelo Centro de Ciências Humanas e Sociais de Campo Grande (CCHS), mas foram  distribuídos por cursos distintos. Outro questão que preocupa o candidato e difícil acesso entre o Centro de Ciências Humanas e Biológicas (CCBS) com o Hospital Universitário, fechado por motivos de segurança e na verdade precisam novos dispositivos e mecanismos de segurança. Outra situação é dos prédios construídos próximos ao Lago de Amor, tomados por atoleiros e de difícil acesso.  Ou do bloco da educação, onde se convive diariamente com as descargas da estação de gás. “Sei o que é dar uma aula sem ar –condicionado, iluminação deficiente e até sem giz”.

Além disso, questiona a falta de critérios transparentes na construção de novos prédios como auditório, laboratórios e moradias estudantis.  Com isso, um centro universitário acaba sendo priorizado em detrimento a outro, sem observação em indicadores de demanda. Sugere como  solução para questão a elaboração democratizada do orçamento da UFMS e do plano de obras. “Hoje existe um privilégio claro dos aliados da administração, enquanto cursos ou grupos mais críticos ficam prejudicados”.
O candidato também defende a criação de mais espaços de convivência acadêmica.  Atualmente são poucos  e mal distribuídos. Destaca como exemplo  Ciências Exatas, em Campo Grande, em que os alunos, no intervalo de aulas, não tem onde ficar e em dias de chuva a situação piora, pois não podem ficar sequer debaixo das lajes dos corredores, cheias de infiltração e que necessitam antes de pintura um tratamento prévio.
Antonio Osório e Teodorico Alves atendem a imprensa após o debate e a reafirmam compromissos com a universidade pública, participativa e de boa qualidade


Produção de Tecnologia
O candidato defende a ampliação da produção tecnológica por todos os centros da UFMS, formando parcerias com o Estado e municípios, empresas privadas e outras instituições de pesquisa.   Dentro do princípio da transparência administrativa defende em primeiro lugar a regularização contratual de todos os convênios. Além disso, vai desenvolver o monitoramento constante dos projetos que ficam desamparados, tem que caminha com as próprias pernas, de forma individualizada e sem amparo de uma política institucional. Cita como exemplo a incubadora do Programa de Produtos de Cerrado, que ficam em salas do Estádio Morenão, mal acomodado, isolados, sem visibilidade e convivendo com o alagamento. 

Quotas raciais

Para Antonio Osório a UFMS já está atrasada na discussão para implantação das quotas raciais.  Assim como entrou tarde para aderir ao Sisu/Enem. Adianta se houvesse vontade política o sistema já teria sido adotado, com base na experiência da UEMS (Universidade Estadual de MS).  Mesmo Com a determinação legal do STF (Supremo Tribunal Federal) confirmando a validade das quotas, a Chapa UFMS pretende abrir um processo de discussão sobre o foco meramente de cor que tem sido questionado. Defende que a princípio as vagas sejam preenchidas por egressos das escolas públicas.  

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